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Outro dia nosso amigo Emerson, mineiro de Teófilo Ottoni, me receitou um remédio infalível para acabar com um resfriado: pincumel. Levei, digamos, uns dois minutos para entender a receita. Não seria preciso nenhuma ida lá embaixo para comprar em alguma das muitas farmácias que nos cercam. Bastava, explicou o nosso Emerson , combinar uma branquinha com uma colher de mel. Tomar duas vezes ao dia, antes das refeições. Segundo a sabedoria mineira, além de liquidar com o resfriado tem também um efeito colateral benéfico: aumenta o apetite. Ainda ponderei que hoje em dia se faz muita campanha contra o álcool, não seria uma boa coisa para o controle da pressão e da glicose. Falei, mas sem muita convicção. Os mineiros sempre resolveram questões de saúde com soluções muito antigas. Minha mãe, por exemplo, só viajava com dois vidrinhos na bolsa: um de noz vômica e outro de elixir paregórico. Segundo ela, santos remédios. Para tudo. Acho que o pincumel (em mineirês é como se diz "pinga com mel") se enquadra nessa categoria.

E foi assim, em meio a um resfriado, que saiu do forno este nosso livrinho. Fala de uma tal de Maria Joaquina, que tinha um sonho de ir para Guarapari e conhecer o mar, essa fixação dos mineiros. E outras histórias e crônicas, algumas delas publicadas neste blog. A capa, com foto de Clarissa, mostra a Casa Azul, em Sabará. Quem se interessar pode comprar na Uiclap ou na  Amazon. Livro impresso ou eBook.

Carlos G. Vieira

(13 de março de 2025)
 

 

Se até o mês de dezembro as jacas dominaram o meu caminho, agora chegou a vez das mangueiras. Enormes, com pencas de mangas ficando amarelinhas bem lá no alto e muitas já caídas pelo chão na Rua Sambaíba, aqui no Leblon.

Isto me fez lembrar das mangueiras da minha infância, aquelas em frente ao Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte, e aquelas do quintal da casa do meu avô em plena Avenida Afonso Pena. Eu também plantei uma mangueira no quintal lá da minha casa (sim, naquele tempo as casas tinham quintal com muitas frutas), manga carlotinha, e quando voltava à casa materna minha mãe sempre me mostrava a mangueira repleta de mangas.

Meu amigo Antônio Luiz, já falecido, também plantou uma mangueira aqui na Timóteo da Costa, em frente ao prédio em que morou por muitos anos, e ela também é pródiga em frutos, que despencam lá de cima na calçada. Passo quase todos os dias por ela e me lembro dele.

Embora alguns urbanistas possam ser contra, eu acho que esta ideia de ter frutas caindo lá do céu, nas caminhadas, humanizam os bairros e nos fazem lembrar como eram, antigamente, nossas cidades.

Carlos G. Vieira

(6 de janeiro de 2025, Dia de Reis e outras efemérides na cidade mineira de Sabará)

Veja também: As jacas do meu caminho

 

Assim como uma família compra um pet. Que tal? Numa época em que as pessoas só se preocupam com números. Qual foi a inflação acumulada no ano, quanto subiu/abaixou a Bolsa hoje, quanto temos no banco, quanto vai distribuir a mega sena, quais as ofertas do supermercado, quais as ofertas de passagens aéreas, qual vai ser o aumento do salário.

De fato, o escritor português Afonso Cruz colocou o dedo na ferida. Numa época fictícia em que as pessoas são identificadas por números e não por nomes. E algumas, nota bem a personagem mais jovem da família desta história, são pernósticas. São conhecidas por letras e números complexos, com uma parte decimal. Tipo BB9,2.

E, de repente, bate uma vontade de comprar um poeta e levar para casa. Arranjam um lugar para ele debaixo da escada (na minha casa era onde meu pai guardava as garrafas). E o poeta fica poetando. Até uma janela com vista para o mar ele consegue criar.

Mas o poeta acaba por se tornar inconveniente com sua visão poética, e é abandonado em um parque, como algumas pessoas fazem hoje com aquele cãozinho tão querido. Conclusão do autor: "nunca se abandona a poesia nem num parque, nem na vida".

Eu pensei muito se valeria a pena comentar este livro, tamanho o número de resenhas e comentários sobre ele que encontrei, muito mais bem escritos do que eu conseguiria fazer. Perdoem-me, mas foi irresistível.

(Livro: Vamos comprar um poeta, Afonso Cruz, Editora Dublinense Ltda, Porto Alegre)

Carlos. G. Vieira

(12 de novembro de 2024, em homenagem a Dona Mary)


Quase todos os dias passo por estas jacas, cada dia maiores, que nascem de uma jaqueira portentosa, no passeio da rua por onde caminho, e que crescem na altura da minha cintura. São minhas companheiras silenciosas, até que alguém venha colhê-las. Todos os anos é assim. O perigo é alguma destas frutas, que chega a pesar até 50 quilos, despencar lá de cima justo quando alguém está passando embaixo. Não é o caso destas da foto, porque os frutos estão muito próximos ao chão. Mas é o caso da maioria, cujos galhos muito altos se projetam sobre as calçadas. Eu mesmo tive um carro danificado, porque estacionei embaixo de uma delas e não notei os frutos abundantes. Uma jaca estava prestes a cair, caiu e afundou o teto do carro. 

As jacas são frutas típicas da India, Bangladesh e Vietnã. Acho que também já fazem parte da nossa Floresta da Tijuca, e se multiplicam na medida em que as sementes estão espalhadas pelo chão, e os animais tratam de levá-las para bem longe. Mas há um mistério nesta história. Quando chega fins de dezembro ou janeiro, não resta mais nenhuma destas frutas para se ver. Somem todas. O que me levou, anos atrás, a encomendar uma delas no edifício Meia Lua, do meu amigo Washington e de Joaquim e Cecília. Lá existem várias jaqueiras. Fui apanhar de carro e com muito sacrifício coloquei a dita cuja na nossa cozinha. Imediatamente acionei todas as mãos disponíveis e começamos a preparar um delicioso doce de jaca. E tem gente que ainda diz que não gosta.

Carlos G. Vieira  (24 de outubro de 2024)

Veja também: As amendoeiras do Leblon


 

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