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Este é mais um livro que saquei, ao acaso, da minha estante. Chamo a atenção que o exemplar que tenho aqui em mãos já foi a 12ª edição, de um livro editado pela primeira vez em 1937. Desculpem, mas não vou fazer uma resenha deste livro. Existem muitas disponíveis na internet. Vou apenas contar o que sentiu um leitor casual. Começa que Cyro dos Anjos nasceu em Montes Claros, viveu em Belo Horizonte e faleceu no Rio de Janeiro. São três cidades que nos unem. Quando comecei a reler o livro, que tem o formato de um diário, fui logo procurar onde ficava Rua Erê, no bairro do Prado em BH, rua em que morava o personagem Belmiro com suas irmãs. Perto de onde morou meu irmão mais velho muitos anos. Depois, ele fala várias vezes dos bondes e do Bar do Ponto. Andei muito de bonde em Belo Horizonte na minha infância e cheguei a conhecer onde ficava o Bar do Ponto, na esquina da Rua da Bahia com Avenida Afonso Pena. E a repartição pública do Fomento, onde o personagem sonolento dava expediente, lembrou-me da Secretaria de Finanças, na Praça da Liberdade, onde trabalharam meus irmãos durante algum tempo, e o Professor Noronha, nosso vizinho da Rua Maranhão. Em certo ponto do livro, Belmiro passa pelo quartel da PM na Rua Diabase. Foi lá que meu filho se encantou com um cavalo e queria, a todo custo, comprá-lo e trazer para o Rio de Janeiro. Foi um problemão tirar isso da cabeça dele. Está descrito no meu livro Maria Pia.

    Mas tem também os amigos fiéis do personagem Belmiro. Destaco logo a Jandira, que me atraiu pelo lado descontraído e alegre. Em seguida vem Redelvim, meio amalucado, que se encantou com o movimento comunista de 1935 e acaba preso, mas é libertado graças aos esforços dos amigos e desaparece do mapa. Disse ele que a prisão foi um momento de reflexão sobre a vida, coisa que a cabeça dele não permitia naquele frenesi do dia a dia. E aqueles eternos amigos do chope na esquina: Glicério, Silviano e Florêncio. Deixei por último, por razões sentimentais, a Carmélia, por quem Belmiro manteve sempre uma adoração profunda, e que acaba se casando com um paulista rico. Espero não ter estragado a vontade de ler este livro tão famoso, dando estes spoilers. E, para encerrar, fui ao Google pesquisar a origem de uma frase que dizemos muito aqui em casa: "Muito bem, exclamou o Conde". Para meu espanto, o Google diz que esta frase apareceu no livro do Amanuense Belmiro.

Carlos G. Vieira  (30 de agosto de 2026)


Este livro, que acaba de ser publicado, é uma leitura amena e intrigante. Obra de ficção, apresenta várias histórias interligadas, que começam no século XIX e terminam em meados do século XX. Uma delas apresenta ao leitor dois imigrantes portugueses, Antônio e Maria da Conceição, que chegam a Salvador numa época em que o famoso Mercado Modelo nem existia e a Antiga Sé era a sede da arquidiocese. Tem uma história que começa no sertão de Pernambuco, perto da Vila de Garanhuns, com José e Carolina e que termina em Magé, no Rio de Janeiro. Tem história que começa na Vila Inhomirim, com Josefa Amelie, passa por várias cidades mineiras, e termina no Sul de Minas. E é aí que entra em cena a personagem Maria Joana, menina rebelde e atrevida que constrói a sua própria história. Mais não conto para não dar spoiler.

O livro pode ser encontrado na versão impressa na Amazon e na Uiclap, e na versão eBook na Amazon e Rakuten Kobo (aqui também com uma versão em Língua Inglesa e outra em Espanhol)

(11 de julho de 2026)

De vez em quando acontece de eu sacar um livro da estante e descobrir que nunca havia lido antes, ou que simplesmente me esqueci do enredo totalmente. Assim foi com Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, que passou uns trinta anos esquecido. Fiquei tão entusiasmado com a leitura tardia que, em seguida, encomendei Sobrados e Mucambos. Assim foi também com as memórias de Afonso Arinos de Melo Franco e com Adolfo Bioy Casares, o Adolfito como a ele se referia Jorge Luis Borges. Só falta coragem mesmo é para enfrentar Ulysses, de James Joyce, que espera há anos aqui na fila. 

Pois agora eu encontro um livro, com dedicatória, de Martha Medeiros, e mais uma vez me surpreendi. Pelo visto, entrei numa nova fase de descobertas, como aconteceu com o livo de Ana Cecília Carvalho, descrito aqui no blog.

O livro A Graça da Coisa reúne várias crônicas da autora, escritas há uns dez anos mais ou menos. O conjunto permite que o leitor possa apreciar, com clareza, a sua maneira de escrever. É muito boa. A gente quer ler, e ler, sem parar. Ainda bem que o livro tem muitas crônicas, e todas elas são curtas, porque passam de um tema a outro e o leitor não sente. Quer mais. Eu gostei, particularmente, de "O poder terapêutico da estrada", "Coragem" e "Frustração". Já até imagino, no estilo da autora, algum leitor ou leitora deste blog dizendo: "Engraçado, eu nunca escolheria estas crônicas como as melhores". Tudo bem, todas as crônicas são muito boas. É só conferir.

Carlos G. Vieira (12 de junho de 2026)
  

 

Outro dia, assistindo ao videocast do Encontro Marcado com Álvaro Esteves que apresentava uma entrevista com a autora Ana Cecília Carvalho, fiz uma releitura de seu intrigante livro Os Mesmos e os Outros - o livro dos ex. Já começa que o título é de uma atualidade impressionante, apesar do livro ter sido editado pela primeira vez em 2017. São 25 histórias, cada uma com um fim inesperado. É preciso dizer que a autora é também professora e psicóloga. Os textos são muito bem elaborados, uma escrita que flui com naturalidade, prende a atenção do leitor. E tem também o cão Fidel, que juntamente com os ex, aparece aqui e ali, inclusive na capa. E sempre presente está uma situação distópica, ao fundo, que pressupõe (pelo menos a este leitor) grupos armados em confronto. Nada mais atual. Os mesmos e os outros.

Carlos G. Vieira (8 de maio de 2026)

Aconteceu anteontem em Austin, Texas, o lançamento oficial do novo livro de nosso autor independente Álvaro Esteves. Em evento numa biblioteca, que casualmente leva o seu nome, o livro foi apresentado com direito à leitura de uma história e comentários sobre outras. O livro reúne acontecimentos, alguns mais reais que outros, em que se viu envolvido o autor, relembrando situações curiosas, por exemplo, de quando era apenas uma criança, como é o caso dele parando a escada rolante da antiga Sears, em Botafogo (Rio de Janeiro). Ou lançando flechas perfurantes em uma obra de arte. Álvaro é um grande contador de histórias. Seus outros livros, e aqueles que escreveu em parceria com os netos, comprovam isso. E também tem se revelado um talento para apresentar ao público outros escritores, cineastas e artistas em seu programa Encontro Marcado com Álvaro Esteves, na Caju Radio e no Youtube.
O livro tem o selo da Golden Arrow Books.

Quer conhecer outro livro de sucesso do Álvaro Esteves? Clique aqui.

Carlos G. Vieira (1/5/2026)

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